Andei estes dias repousando a mente, pensei em tirar férias blogueiras até o dia 15/08/2010, mas fracassei nessa promessa visto que as ideias me boliam por dentro a tal ponto que já não posso mais contê-las, são palavras que me provocam efeitos dos mais diversos, então hoje saio um pouco de cena e deixo que elas me dominem.
Estou naquela fase de muita auto-reflexão, repensando demasiadamente meu comportamento com os outros bem como as reações dos outros com relação a mim, por coincidência do destino enquanto eu me vejo nesse trabalho penoso, eis que uma simples conversa de MSN me trouxe um ponto de vista interessante para este momento que vivo.
A conversa apesar de rápida foi para mim muito interessante pois as palavras trocadas refletiam exatamente o que eu já estava pensando sobre o assunto, uma frase nessa conversa marcou-me muito: “Nem sempre as pessoas que você quer mais interagir são as que mais interagem com você”, ou seja, não adianta querermos nos relacionar com pessoas que não querem se relacionar conosco, pois o que acontece muitas vezes é que aquela pessoa que você dá menos importância ou menos espera é a que mais te dá atenção.
Isso tudo me faz pensar numa velha questão que sempre me perturbou na vida, é a questão da aceitação e reciprocidade, isto porque sempre me vejo nestas situações onde sinto que me dou muito mais que recebo e recebo muito mais de quem pouco tenho me dedicado. O grande “culpado”, se é que podemos colocar assim, é o nosso gostar e a identificação gratuita por alguns, isto porque nem sempre gostamos daqueles que fazem algo por nós, ocorre por vezes de simpatizarmos só pelo jeito que aquele alguém aparenta ser, sem que tenhamos recebido algum tipo de retorno.
Acredito que todo mundo que se relaciona na sociedade tenha experimentado a sensação de criar alguma espécie de expectativa em cima de alguém e logo se frustrar quando verifica que a pessoa não corresponde ao que se espera dela. Por mais que muitos neguem e digam que buscam viver sem criar expectativas sobre os outros, creio que isso seja algo muito difícil de fazer, pois quando alguém atrai sua estima ou admiração é natural que você espere algo dela, tanto é que quando este alguém faz algo fora do que estamos acostumados a ver logo ficamos decepcionados e chateados porque temos a tendência de querer que os outros sejam sempre do mesmo modo, é uma questão de costume.
Nas relações humanas criar expectativas é tão comum quanto às frustrações, para não se frustrar basta não esperar tanto dos outros, mas isso é fácil de fazer? Quem consegue hoje viver sem se preocupar com ninguém? Embora o que pensem de nós não seja o que rege nossas vidas, ainda assim nos preocupamos com a opinião dos outros, tanto é que as desculpas são sempre usadas quando erramos com alguém que gostamos, se não nos preocupássemos com nossa imagem perante os outros ou se não nos importássemos verdadeiramente jamais pediríamos desculpas, a desculpa é portanto o reconhecimento da falha causada a outrem.
Outra coisa que noto é que somos mesmo diferentes para diferentes pessoas, podemos ser mais formais, afetuosos, brincalhões na medida que os outros também sejam assim conosco, a forma como o outro interage com você refletirá na forma como você se comporta perante ele, por isso que somos chatos pra uns e legais pra outros, porque nunca somos os mesmos sempre, temos uma personalidade como essência porém com comportamentos bem variados dependendo da pessoa e da situação.
Analisando todas estas situações, tenho procurado equilibrar melhor minhas emoções quanto a minha relação com as pessoas, tenho tentando exercitar a arte de não me importar com coisas pequenas que não sei por qual motivo me aborrecem tanto, tem sido difícil engolir a seco tudo isso, mas tomei consciência de que se eu me deixar influenciar por estas coisas, me abalarei facilmente e daí é que vem o sofrimento e o inconformismo, que desencadeia na frustração.
Chega uma hora na vida que precisamos aprender na marra a aceitar quando não somos bem-vindos, aceitos ou estimados por alguns que gostamos. É preciso entender que todos em posse do seu livre arbítrio podem optar por ter perto de si os escolhidos de coração, neste caso, nada ou muito pouco podemos fazer para conquistar este espaço, é uma porta que outro deve abrir pra você e não lhe cabe forçar ou insistir para entrar. Nem sempre nos dão permissão para entrar.
Deste modo, em posse de toda essa consciência sobre estes fatos, creio que minha melhor forma de lidar com tudo isso é mudar minha postura e minha forma de pensar. Quanto à postura talvez seja melhor adotar os princípios básicos que sempre acreditei: valorizar quem me valoriza, dá atenção a quem me dá, confiar em quem confia em mim. Quanto à forma de pensar preciso internalizar o máximo possível a ideia de que as pessoas são livres e preciso respeitar o gosto delas por mais que isso me desagrade.
Enfim, creio que o essencial é dominar a arte de não se importar com coisas e pessoas que não me dão importância e que por isso não devem ser consideradas importantes, preciso buscar viver essencialmente para os que me amam ou para os que me querem bem de verdade, na teoria e na prática e não apenas no discurso. Sem expectativas nem frustrações no meio desse caminho.
Retirado na Integra: http://www.escritosideologicos.com/2010/08/relacoes-humanas-expectativas-e.html
Retirado na Integra: http://www.escritosideologicos.com/2010/08/relacoes-humanas-expectativas-e.html
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